8 Familiares e nenhum abraço: um sepultamento em tempos de pandemia

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Quem não se lembra de algum romance de Hollywood em que os protagonistas se despedem apaixonados nas portas dos aeroportos? Despedidas são sempre dolorosas, mesmo conscientes de um breve reencontro, portanto são sempre emocionantes e carregadas de beijos e abraços, que se fazem muito necessários para suportar a separação. Nosso segmento está habituado a uma despedida mais melancólica, quando nos deparamos com o desconhecido. Quando a vida cessa e o coração daquele que amamos deixa de bater é o nosso que bate acelerado, buscando no desalento de um abraço consolar uma dor inconsolável. Mas como devemos proceder quando somos privados até mesmo deste tão singelo recurso? Quando não podemos buscar nem mesmo o consolo de um abraço?

A partir do dia 19 de março de 2020 começou a vigorar o Decreto Nº11.018 em Franca, onde os velórios ficaram restritos à duração máxima de 4 horas, com a presença de até 8 pessoas, sendo respeitadas as medidas de distanciamento social. Essa restrição é ainda mais severa com casos confirmados ou suspeitos de Covid-19, onde a Resolução SS-32 do estado de São Paulo determina que estas urnas devem ser lacradas e a realização do velório é desencorajada por medidas de segurança, sendo o falecido sepultado imediatamente e sem a despedida de tantas pessoas que o amaram. Como lidar psicologicamente com tais recomendações? Nossos costumes estão prontos para encarar essas mudanças bruscas?

O costume de velar nossos entes queridos tem uma origem muito antiga. É provável que esse ritual tenha surgido na Idade Média, quando muitos dos utensílios domésticos, como copos e pratos, eram fabricados com estanho. As famílias com mais posses utilizavam copos desse metal para consumir bebidas alcoólicas, porém, a mistura das substâncias poderia deixar o sujeito “no chão”, causando uma espécie de narcolepsia. Quando encontrado, o corpo era recolhido e colocado sobre uma mesa. Assim, a família fazia uma vigília para ver se o “falecido” iria acordar. O nome “velório” surgiu das velas. O fato é que, sem luz elétrica na época, as pessoas passavam as noites segurando velas enquanto vigiavam o falecido. Daí a expressão “velar” o corpo.

Com o tempo este costume foi evoluindo e sofrendo alterações de acordo com suas localidades. Nos Estados Unidos, o corpo leva dias para ser preparado com a intenção de acalmar os familiares e dar oportunidade para quem está longe chegar ao local do sepultamento. Após o velório, são comuns recepções com um buffet na casa dos familiares do falecido. Na Rússia, o funeral é uma reunião alegre, com pessoas vestindo roupas coloridas. O preto, muito utilizado no Brasil, não é bem-vindo. No Brasil já não realizamos as cerimônias nas residências, como ocorria outrora, existem locais específicos para que os familiares possam se despedir daqueles que partiram, aproveitando para celebrar todas as coisas boas que eles representaram em vida. É, justamente, neste momento que se faz tão importante o encontro com familiares e amigos, tanto para suportar a dor da separação com um abraço caloroso, como também para recordar boas memórias compartilhadas com aquele ente tão especial.

Psicólogos afirmam que o processo de luto é muito particular para cada pessoa, e que a realização dos velórios auxilia os que ficam no enfrentamento da situação. Concluir essa cerimônia de passagem dá continuidade ao processo de luto para que possamos superá-lo eventualmente. Mas e quando não temos a oportunidade de realizar essa despedida? Ou, mesmo quando nos são impostas inúmeras restrições em virtudes desta pandemia global? O setor funerário muito lamenta essa situação. Nossa missão de minimizar a maior dor dos seres humanos, a dor da perda, fica comprometida. Nossas possibilidades de celebrar a vida daqueles que partiram nos são confiscadas, e ficamos reféns de uma cerimônia breve e fria, para desalento dos familiares.

Uma singela alternativa realizada pela Nova Franca Assistência Familiar é a disponibilização gratuita do Velório Virtual para os associados do Plano Ouro. Usualmente, essa medida era utilizada para parentes distantes que não conseguiriam chegar a tempo do sepultamento, mas hoje ela se faz tão necessária para amigos e familiares que contemplam o grupo de risco, ou amigos que respeitem o limite máximo de 8 pessoas durante o velório. Sabemos que este é um momento em que devemos nos abraçar, mesmo que à distância, através de atitudes acolhedoras para que possamos suportar as dificuldades desta pandemia, podendo acreditar que em breve nos abraçaremos cheios de alegria por termos vencido este momento de dificuldade.

A Nova Franca Assistência Familiar mantém seus trabalhos com equipe reduzida e respeitando todas as recomendações das entidades de saúde em seu escritório, na Rua Monsenhor Rosa, 2272, 24 horas ao dia, atendendo preferencialmente por telefone: (16) 3403 3000.