Câncer de Mama e Osteoporose: Qual a relação com os implantes dentais?

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Dr. José Henrique Villaça, Cirurgião dentista graduado pela UNESP, especialista em Periodontia pela UNESP, Mestre em Periodontia pela USP de Ribeirão Preto e Doutor em Ciências Médicas, pelo Departamento e Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

O câncer de mama, apesar de não ser o mais prevalente, é o mais letal em mulheres. No entanto, o diagnóstico e tratamento precoces alcançam taxas de cura de até 95%. O tratamento, normalmente, envolve mais de um tipo de abordagem. Em todas as situações é indicado o tratamento cirúrgico com a remoção do tumor e de parte, ou de toda a mama. Outras terapias como radioterapia, quimioterapia e imunoterapia podem estar associados.

A osteoporose é caracterizada pela perda aumentada da massa óssea, principalmente no período pós menopausa, e pode atingir uma em cada três mulheres. O principal exame para diagnóstico da osteoporose é a densiometria óssea. O tratamento pode necessitar de abordagem cirúrgica em casos muito graves, mas na maioria dos casos o tratamento é medicamentoso, com drogas que inibem a reabsorção óssea, como a reposição hormonal, suplementação de cálcio e vitamina D; e mudanças de hábitos como uma alimentação balanceada, prática de exercícios físicos, eliminação de hábitos deletérios como o tabagismo, entre outros.

Mas onde entram os implantes nessa história?
Os implantes dentais são parafusos de titânio que substituem as raízes dentais, e são inseridos nos ossos mandibulares ou maxilares. Esse tratamento tem sido cada vez mais procurado pelos inúmeros benefícios que proporciona para a mastigação e estética.

O problema é que o tratamento, tanto da osteoporose quanto do câncer de mama, pode necessitar de um grupo de drogas chamadas bifosfonatos. Esses medicamentos são usados por via injetável ou oral e se ligam fortemente ao osso sendo absorvidos pelos osteoclastos (células que promovem a reabsorção óssea). Na osteoporose é fácil detectarmos a função dessas drogas. Como elas inibem a ação dos osteoclastos teremos uma diminuição e perda de massa óssea, ajudando no controle da mesma. A sua função, quando utilizada na quimioterapia do câncer de mama, se dá pelo fato da metástase óssea ser uma das mais prevalentes nesse tipo de câncer e, portanto, a sua administração previne o risco de ocorrência do câncer ósseo por metástase.

Mulheres que fazem ou fizeram uso dessas drogas tem o risco aumentado de osteonecrose do osso mandibular, que é a exposição desse osso na cavidade oral de difícil cicatrização. Nessas pacientes, a osteonecrose pode ser desencadeada pela instalação cirúrgica de implantes dentais. Quando do uso dos bifosfonatos por via oral, esse tipo de problema é mais raro desde que o tempo de administração tenha sido inferior a 4 anos. No entanto, no uso endovenoso, como na quimioterapia, essa ocorrência é mais prevalente e só é aconselhada a instalação de implantes de 5 a 7 anos após a quimioterapia.

Para que seja evitado esse tipo de complicação é imprescindível uma boa comunicação entre dentista e paciente. Um bom profissional da odontologia saberá elaborar um correto diagnóstico, identificar os riscos e preparar um plano de tratamento seguro e adequado para cada caso.

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