Cuidar do Idoso nos dias de hoje

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Tenho 64 anos, sou professor e estou me aposentando. Filhos criados, missão parcialmente cumprida. Espero agora poder desfrutar, junto com minha esposa, dos prazeres da vida nunca antes permitido.

Tardes sonolentas de preguiça, viagens tranquilas e menos planejadas, preparar refeições como se o tempo não existisse, acordar e observar a poeira que insiste em não ser previsível e só aparece quando iluminada pela fresta de sol da janela.

Se aconchegar e descobrir detalhes do dia a dia da casa que sempre existiram, e nunca foram valorizados e percebidos.

Adquirir manias, ranhetices, tornando-as nossas cúmplices que usamos para nossa proteção.

Um cantinho aconchegante, uma cama gostosa, um cobertor para nos cobrir, como se quiséssemos dizer ao mundo “este é o meu ninho”.

Realidade ou ficção, quem poderá dizer que esta não é a vontade de quase todos?

Quem não gostaria de desfrutar desta etapa da vida com os benefícios que achamos por bem merecer?

Também vem com este novo capítulo o maior cuidado com a saúde, visto que o envelhecimento, que se inicia quando nascemos, se mostra mais presente, nos debilitando dia a dia das destrezas e as capacidades que tínhamos anteriormente.

Certo que chegará o momento que nossos filhos ou entes queridos intervirão e acharão necessário estarem mais próximos para cuidados que antes não eram necessários.

E aí vem o primeiro conflito.

Não por estarmos, nem nós e nem eles, propensos a isso, e sim porque é realmente conflitante a vontade dos filhos de nos protegerem e a nossa, de não suportarmos a invasão de tão preciosa privacidade.

É conflito mesmo. A família quer garantir a proteção do idoso e este, não quer perder sua liberdade.

Quais motivos levam o idoso a querer morar sozinho?

Eis uma resposta:
50% dizem querer privacidade, 41% (principalmente os mais velhos e mulheres) dizem não querer voltar a morar com outras pessoas e outros 37,1% não querem dar satisfação de sua vida.

Respeitar esta escolha pelos familiares e cuidadores é fundamental para evitar o conflito.

Este é um lado da questão.

Vejamos outros:
O idoso tem cada vez menos suporte familiar devido a mobilidade das famílias, seu tamanho e o número crescente de separações.

No Brasil atual são 4,2 pessoas por domicílio, o casal e aproximadamente 2 filhos. Nos países mais evoluídos da Europa é de 2,2 a 2,8 pessoas por domicílio. Chegaremos logo a estes números.

Em cinco anos a população brasileira com 60 anos ou mais, acompanhando um fato já constatado nestes países, cresceu 18,8% entre 2012 e 2017, ou seja, querendo ou não estaremos sozinhos não só por escolhas como também pela imposição da composição familiar do mundo atual.

E quais são, segundo estes idosos que moram sozinhos, seus maiores receios?

58 % dizem ter medo de passar mal e não ter como e a quem recorrer, 47,7% medo da solidão, 36,2% medo de violência e outros 22,6 % não ter com quem dividir despesas.

Criar alternativas para o cuidado com esta população, que levem em conta suas condições de saúde, familiar e financeira é um fato e alguns serviços, novos por aqui, mas já existentes em outros países, surgem como necessários e auxiliares para este público.

São serviços de acolhimento e socialização, acompanhantes, cuidadores, home care e teleassistência.

Um serviço, já bastante difundido e utilizado na Europa e Estados Unidos, também está presente no Brasil, inclusive em nossa cidade e é conhecido como Teleassistência.

E como funciona?
Acionando um botão em caso de emergência.

Eva Nunes, gerente da empresa Helpnet que presta o Serviço SOSme, nos dá maiores explicações de como funciona:

– O serviço faz a conexão de um botão de emergência via radio, usado como pulseira ou colar, com a central de atendimento 24 horas.

Temos outros opcionais tais como: sensores de queda, de movimento, que auxiliam em caso de necessidade e pronto atendimento.

Estes equipamentos possibilitam também a comunicação com nossos operadores, 24 horas, sem necessidade de locomoção ou o atendimento do telefone.

Dependendo da necessidade na situação são acionados pessoas ou serviços que poderão prestar apoio e assistência.

Também pode ser utilizado por pacientes que estejam provisoriamente em convalescença, pessoas com dificuldade de locomoção ou até mesmo aqueles que ficam sozinhos por um período do dia.

“O equipamento já sai programado com o perfil do usuário, é despachado pelos correios e atendemos todo território nacional” – finaliza e completa Eva Nunes.

Se pensávamos que nosso comportamento seria imune às novas tecnologias, facilmente absorvidas pelos jovens que as aceitam sem pudor, devemos nos preparar para ceder, porque o dia a dia de hoje e do futuro já nos mostra outro caminho.