Diálogos em Família

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Atuando como psicoterapeuta tive a oportunidade de atender clientes individualmente que procuravam ajuda para cuidar de questões de ordem emocional, afetiva, profissional. Mas atender um casal ou vários membros de uma família juntos muda completamente a configuração do trabalho e a responsabilidade se multiplica!

Os contextos são sempre diferentes. Casais decidindo pela separação conjugal de forma pensada e responsável em relação aos filhos; outros renovando o propósito de rever suas questões e continuar juntos. Pais que há muito se recusavam a conversar com um(a) filho(a) por não aceitar sua sexualidade; outros tentando trazer de volta aquele(a) filho(a) que, envolvido(a) com o mundo das drogas, afastou-se completamente dos familiares. Famílias que necessitam definir seus papéis para conseguirem trabalhar juntos, progredir e cuidar de uma empresa familiar. Algumas situações envolvem agressividade e até violência doméstica e por vezes requerem a atuação da justiça. Em tais casos é preciso reconhecer a necessidade de orientação e colaboração de outros profissionais.

Os contextos são tantos que é difícil estabelecer um critério de como os casais e as famílias funcionam: são sempre muito parecidos e diferentes entre si. Tais grupos familiares são formados por indivíduos com características únicas e estão inseridos em ambientes sócioeconômico-culturais diversos. Sejam quais forem essas configurações, o ditado “problemas de família só mudam de endereço” é verdadeiro e sugere semelhanças entre elas. Ocorre que os endereços podem ser muito diferentes…

O papel do psicoterapeuta é de procurar sempre resgatar e promover o diálogo entre os membros da família, mediando conversas que não são possíveis quando estão a sós. A presença e a atuação de um interlocutor que os ajude a encontrar um espaço de fala e de escuta pode fazer a diferença. Mudanças no contexto familiar costumam acontecer de maneira antes inimaginável quando os membros de um casal ou de uma família conseguem comunicar uns com os outros sobre seus sentimentos, ideias, questionamentos e dúvidas, desde que sejam ouvidos genuinamente. “Falar e ouvir são habilidades que podem ser aprendidas, exercitadas ou mesmo resgatadas nas relações pessoais onde as emoções e afetos exercem papel fundamental”.

A partir do momento em que o diálogo acontece e que as diferenças individuais são reconhecidas, é possível criar novas formas de viver o cotidiano, de enfrentar as adversidades que a vida apresenta, de compartilhar os bons momentos de maneira afetiva, agregadora e construtiva.

Tel. 3724-2442 (Secr. Eletr.)
Av. Dr. Ismael Alonso y Alonso 2736, sala C.