Efeitos da PANDEMIA na vida cotidiana, e como a Homeopatia pode ajudar

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Dr. Hermes Falleiros é formado pela Faculdade de Medicina de Santo Amaro com residência em Pediatria no Hospital Infantil ‘’Menino Jesus’’. Ex-docente no curso de pós-graduação em Homeopatia do Instituto Homeopático François Lamasson em Ribeirão Preto e autor do livro “Tratando crianças com Homeopatia”.

A pandemia de COVID-19 caiu como uma bomba sobre todo o mundo, não poupando países mais ou menos desenvolvidos. Em decorrência disso, todos tiveram de uma maneira ou de outra, que mudar totalmente o seu modo de viver, de trabalhar e de relacionar-se com as pessoas.

Os consultórios médicos e odontológicos esvaziaram, e as pessoas de bom senso, e que tinham possibilidade para isso, adotaram o isolamento e permaneceram em suas casas. E os que tinham, por qualquer motivo de força maior, sair de casa, começaram a utilizar os meios de proteção individual e coletiva como o uso de máscaras, álcool-gel e obedecendo o distanciamento social.

A pandemia cresceu e a rotina das pessoas foi gradativamente mudando e adaptando-se à nova situação.

Na alopatia, começaram os debates sobre tomar ou não tomar medicamentos como a Cloroquina e a Ivermectina como preventivos.

No início, apareceram nas redes sociais especializadas várias indicações de remédios homeopáticos que pretendiam ser utilizados como forma de imunização contra a doença. Assim, grupos da Índia preconizaram o uso do medicamento Camphora, outros grupos indicaram o Arsenicum album e outros ainda experimentaram outros medicamentos. Eu mesmo, recebi da presidente do Instituto Hahnemaniano do Brasil, no Rio de Janeiro, uma fórmula com vários medicamentos, com o intuito de aumentar a imunidade do paciente. Prescrevi para uma paciente e ela divulgou nas redes sociais como um remédio homeopático preventivo contra o COVID-19. Como a Homeopatia não funciona assim, tive que me pronunciar nessas redes sociais e esclarecer que não se tratava de um remédio específico para aumentar a imunidade contra o novo Coronavírus, mas sim um medicamento que pretendia aumentar a imunidade do paciente como um todo, principalmente se ele estivesse fazendo uso do seu remédio de fundo, e continuei prescrevendo o complexo para todos os meus pacientes, e, coincidência ou não, eles estão atravessando esse período difícil sem adoecer, sem contaminar-se pelo vírus e sem ter outras doenças infecciosas, tanto adultos quanto crianças, mas naturalmente respeitando as orientações preventivas pessoais e coletivas.

Como eu escrevi em meu artigo anterior, a Homeopatia sempre teve uma ação muito positiva em várias epidemias que grassaram no mundo todo, sempre com muito sucesso. Porém, é característico do tratamento homeopático das epidemias o chamado gênio epidêmico, que é um remédio selecionado de acordo com as características sintomáticas da doença, que ao contrário das demais doenças tratadas pela Homeopatia apresentam-se idênticas em todos os pacientes. A COVID-19 é uma doença que possui uma variedade muito grande de sintomas, que variam de paciente para paciente, o que dificulta encontrar um remédio único que possa ser usado com sucesso em todos os pacientes. Assim, existem em todo Brasil grupos e plataformas na Internet estudando e fazendo experiências na tentativa de identificar esse medicamento. Por enquanto, temos que tratar essa doença com Homeopatia como qualquer outra patologia infecciosa, individualizando os sintomas de cada paciente.

Tive a oportunidade de tratar três pacientes com COVID-19 utilizando remédios homeopáticos. Uma paciente, que fazia parte do grupo de risco por ser asmática, respondeu de forma espetacular somente com o tratamento homeopático, curando-se em três dias, ficando totalmente assintomática, inclusive com o desaparecimento de sintomas que, pelo tratamento convencional permanecem por mais tempo, como a falta de olfato e paladar. Vale dizer que uma paciente jovem e saudável, apesar de ser asmática e atópica. Outro paciente, com 44 anos, deficiente mental e residente em uma outra cidade, também recuperou-se em três dias apesar de estar com 25% dos pulmões comprometidos. Como ele reside em outra cidade, o tratamento homeopático foi feito concomitante com o protocolo de tratamento da sua cidade. A terceira paciente recuperou-se rapidamente, em dois dias, mas o caso dela foi bem mais brando que os demais. É importante ressaltar que todos os três pacientes foram monitorados pelo serviço de telemedicina da Unimed, com consultas diárias com os médicos da plataforma.

De uma maneira geral, esta pandemia veio a modificar a vida de todos. Ficamos mais cuidadosos com nossos hábitos de higiene, passamos a respeitar mais o espaço das pessoas, a ser mais gentis ao utilizar elevadores e lugares públicos.

Enquanto não vem a vacina, que vai ser a solução do problema, tanto a Medicina alopática como a homeopática vêm trabalhando incessantemente em pesquisas, buscando tratamentos que possam ser eficazes. Os bioterápicos, que são medicamentos preparados a partir de material de pacientes doentes, visando estimular a imunidade das pessoas, são muito eficazes nas doenças infecciosas, assim como, para o Sarampo temos o Morbiliinum, para a Varicela o Varicellinum, para a gripe H1N1 o Influenzinum, e assim por diante. Uma farmacêutica, pesquisadora de São Paulo, desenvolveu o Coroninum, preparado a partir de secreção de pacientes com COVID-19. Por enquanto, não tenho prescrito este medicamento para os meus pacientes, pois creio que ainda não é seguro, precisamos observar como vai ser a sua ação no organismo humano já que os medicamentos homeopáticos, por sua característica, não são inócuos, podendo provocar sintomas em pessoas sadias. Portanto, tenho orientado meus pacientes a não fazerem uso desse medicamento por enquanto, até que possamos ter confiança em seus efeitos benéficos e segurança quanto ao aparecimento ou não de agravamentos ou patogenesia. Uma grande esperança, e pode ser uma arma contra essa pandemia.

Por enquanto, o que temos é o cumprimento das medidas preventivas, uma boa alimentação, atividades físicas, ingestão de muito líquido, procurar dentro do possível uma atividade prazerosa, paciência, e principalmente, bom-senso. E quanto à Homeopatia, continuamos atendendo nossos pacientes por telemedicina, com o uso do Skype, Zoom, Whatsapp, e também presencial, com o consultório e a rotina de consulta totalmente adaptados à nova situação, com a obrigatoriedade do uso de máscaras pelos profissionais e pacientes, tapetes com desinfetantes, distanciamento entre pacientes e secretária, marcação de consultas com intervalo entre um e outro para evitar a presença de muitas pessoas na sala de espera, desinfecção de todo o instrumental com álcool-gel, assim como o cuidado do médico em higienizar as mãos antes e depois de cada consulta, além do uso de jaleco descartável, touca, propés e luvas quando necessário. Na parte medicamentosa, o uso do medicamento de fundo, a manutenção dos tratamentos previamente iniciados, e o uso do complexo estimulador da imunidade geral e do sistema respiratório.