MULHER

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Umas das mais experientes e renomadas médicas ginecologistas e obstetras da cidade, Moralina Foroni Casas, pertencente a tradicional família francana, guarda em suas memórias a doçura da mãe e a generosidade do pai, farmacêutico famoso, estabelecido na época, no bairro da Estação.

Aliás, a influência para seguir a carreira na área da Saúde surgiu das visitas que fazia ao pai na Farmácia Santa Terezinha. Naquela ocasião, observava com interesse as queixas das pessoas e ficava atenta as orientações do pai. Com ele aprendeu a ouvir sobre as dores físicas e também aquelas provocadas pelos males da alma. Aqueles momentos despertavam na menina a grande vontade de se tornar médica.

Ingressou em 1968 no curso de Medicina da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, onde se formou em 1973. Logo em seguida fez residência em Ginecologia e Obstetrícia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Foi aluna de grandes nomes na especialidade da Ginecologia e Obstetrícia e acredita ter herdado deles a valorização ao ser humano e à medicina humanizada.

Retornou a Franca em 1976 quando foi convidada pelo amigo, Dr. José Gastão Barbosa da Silveira, Diretor Clínico do hospital na época. “Trabalhar na Santa Casa foi uma experiência inspiradora. Fui a primeira médica que ali atuou na especialidade da Ginecologia e Obstetrícia e eu tenho muito orgulho disso, pois era a mulher conquistando seu espaço no mundo da medicina francana”, afirmou a doutora.

Ao mesmo tempo em que trabalhava na Santa Casa, participou do grupo de colegas médicos que se juntaram para construir o Hospital São Joaquim, de Franca, cuja inauguração se deu em outubro de 1990. No ano 2000, o Hospital São Joaquim foi adquirido pelos colegas da Unimed, cooperativa da qual participo até os dias atuais.

Nesses 44 anos de profissão a médica ginecologista se orgulha do trabalho realizado com amor ao próximo e retidão. Fez milhares de partos e cirurgias, afirma ter experimentado emoções muito fortes, desde a gratificação de poder trazer para as famílias a alegria de um nascimento, até precisar encontrar forças para levar o consolo àqueles pais cujos bebês, infelizmente, não sobreviveram.

A seguir a médica Moralina Foroni Casa comenta sobre sua atuação junto as mulheres e de sua contribuição durante toda a sua trajetória.

“Acredito que nós, mulheres, necessitamos de coragem, disciplina e determinação no árduo caminho para a construção da nossa dignidade!

Quantas vezes pacientes chegam ao meu consultório com queixas existenciais, muitas vezes sem trabalho, sem perspectiva de vida ou sem rumo? Ao mesmo tempo em que me angustio ao ter ali, diante de mim, mulheres pedindo socorro, sinto uma vontade imensa de ajudá-las. Às vezes, só as palavras de incentivo bastam, pois a partir dessas conversas, elas voltaram a estudar ou foram para o mundo do trabalho.

Garanto a vocês, leitores, que me empenhei ao máximo para ver as mulheres conquistando a sua independência através do mundo do trabalho. Não importa qual seja esse trabalho, desde que lhe traga dignidade.

A partir de conversas em meu consultório, algumas se tornaram costureiras, técnicas de enfermagem, copeiras, médicas, secretárias, recepcionistas, profissionais liberais, agrônomas e por aí vai… Não importa qual a é área de atuação, o que importa é a atitude.

Quantas vezes me deparei com jovens que, solteiras, tinham que lidar tanto com a gestação em si como com o estigma da sociedade? Quantas vezes a paciente estava sem emprego, sem o apoio da família ou do pai da criança e não dispunha de nenhum enxoval para o bebê? Perdi as contas de quantos enxovaizinhos eu providenciei para dar algum alento àquelas mamães. Mas não bastavam apenas os enxovais.

Era preciso que eles viessem acompanhados de uma palavra de esperança e de apoio; de uma ajuda para que elas conseguissem trabalho ou para que estudassem. Eu gosto de realizar essas pequenas coisas, de ver essas mulheres progredirem, encontrarem seu ponto de equilíbrio na vida. Para mim é muito prazeroso.

A vida me deu muito. Sou grata por isso e sempre que posso ajudar a atenuar o sofrimento de alguém eu o faço de coração.

Quanto a minha própria família, fui casada com um homem muito generoso: André Casas Calixto. André era um homem muito bom, honesto e trabalhador. Foi um pai e marido atencioso e amoroso. Tivemos três filhos, que me dão muito orgulho: André Luís (Médico vascular), César (Médico clínico) e Vitor (Professor universitário veterinário). E eles me deram cinco netos maravilhosos: Giovana, Fádua, Lara, André e Mateus”, finalizou a doutora.