O que são os cuidados paliativos? Quais são os pacientes elegíveis para cuidados paliativos?

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MÉDICO, formado pela Universidade de Medicina da Cidade de São Paulo (SP), UNICID, CREMESP N° 161.115; especializado pelo Hospital Albert Eisntein;MÉDICO ESPECIALISTA EM CUIDADOS PALIATIVOS, especializado pela Faculdade UNYLEYA, Registrado sob n° 116779 – 726260 / UNY-21.

De acordo com a OMS, “cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais”.

Geralmente, são elegíveis pacientes com doenças crônicas progressivas e também enfermidades sem possibilidade de cura, além das doenças agudas. Cuidados paliativos são abordagens e ferramentas que profissionais de saúde utilizam para avaliar o paciente de uma maneira global, não só física, mas social, psicológica e espiritual, sendo aplicável a adultos e crianças.

Quais são as doenças mais comuns elegíveis para cuidados paliativos?
No caso de doenças progressivas, temos a insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica, cirrose hepática, insuficiência renal dialítica e as distrofias musculares, além de algumas doenças congênitas em crianças, e o câncer. Citei esta doença por último de propósito, pois o paciente oncológico geralmente é muito estigmatizado. O paciente com câncer se beneficia dos cuidados paliativos desde o diagnóstico, pela promoção de um espaço dedicado ao plano de cuidados que terá ao longo de sua jornada, em todos os momentos de necessidade clínica, e também em seu fim de vida.

A comunicação é fundamental nesses casos?
Sim. É bom deixar claro que chamar uma equipe de cuidados paliativos não significa que o indivíduo vai necessariamente morrer. Somos chamados para tentar ajudar a família e o paciente a compreender todos os aspectos que envolvem aquela situação. É bem verdade que algumas doenças podem levar à morte e a comunicação dessas notícias difíceis, que são de grande impacto para pacientes e familiares, são amenizadas por técnicas específicas de abordagem. Por isso orientamos que todos os profissionais de saúde aprendam algumas competências de cuidados paliativos.

Mesmo o câncer não sendo uma sentença de morte, dentro da oncologia existem alguns tipos que demandam cuidados paliativos?
Existem alguns tipos de câncer que, no diagnóstico, já são elegíveis para uma equipe de cuidados paliativos. A Sociedade Americana de Oncologia preconiza, por exemplo, que paciente portador de tumor de pulmão estágio 4 metastático, tumores de cólon no mesmo estágio, câncer de pâncreas, próstata com metástase nos ossos e tumores cerebrais devem ser abordados por times multidisciplinares de cuidados paliativos.

Paciente que está em cuidados paliativos está morrendo?
Não. Cuidados paliativos e cuidados de final de vida são duas coisas diferentes, porém o cuidados paliativos engloba os cuidados de final de vida. Cuidados paliativos não é sobre a morte, mas sim sobre a vida. Entender sua origem e seu papel pode ajudar a amenizar o sofrimento de inúmeras pessoas – e de suas famílias – quando diagnosticadas com uma doença grave; afinal, este é seu principal objetivo.

Em sua opinião, esse tema ainda é desconhecido?
Precisa haver mais informações corretas sobre o assunto, mas já existe um movimento nos últimos cinco anos aqui no Brasil que tem mudado aos poucos essa realidade. Vou citar alguns exemplos, como o Dia Mundial de Cuidados Paliativos, que acontece na segunda semana de outubro. Existem ainda algumas ações voltadas para as redes sociais por parte da Academia Nacional de Cuidados Paliativos.

Existem algumas doenças mais indicadas para Home Care em cuidados paliativos?
Sim. Pacientes em transição de cuidados para finalizar terapias em domicílio (como antimicrobianos, curativos, analgesia), mesmo que possuam boa funcionalidade e controle clínico, além daqueles acamados, totalmente dependentes de cuidados. Aquele doente que precisa de um cuidador 24 horas, de curativos e não consegue se locomover. Estou falando de indivíduos com demência avançada, com sequelas neurológicas graves, com distrofias musculares, com doenças degenerativas avançadas e pacientes oncológicos em estágios 3 e 4, que são candidatos a acompanhamento de fim de vida. Eles ficam muito bem em casa, sob atenção domiciliar.