Precisamos nos reencontrar

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O fato de se tratar da última matéria do ano, naturalmente, foi algo que me levou a fazer um balanço de tudo o que observei nos meses que se passaram, objetivando propor uma reflexão que, de alguma forma, seja útil no fechamento desse ciclo e no início do seguinte. Pois bem, nesse processo, o que invariavelmente ficou claro para mim foi a necessidade – urgente – de nos reencontrarmos. E foi justamente sobre isso que optei por conversar com você nesse nosso pequeno espaço juntos.

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que não me refiro à expressão que dá o título da presente matéria em um único sentido. O verbo reencontrar, de acordo com o dicionário, significa “tornar a achar(-se), a encontrar(-se), redescobrir(-se)”. Acredito que o ano que está chegando ao fim pode ter levado muitos de nós para tão longe de seu próprio eixo, que a necessidade primordial que identifico é, de fato, a de reencontrar-se, isto é, consigo mesmo. Explico melhor.

Profissionalmente, testemunhei muito do impacto emocional experimentado por pessoas de diferentes posicionamentos e modos de pensar, advindo de acontecimentos externos, em especial as eleições. Pessoas que experimentaram o imperativo por manifestar sua opinião, mas ao mesmo tempo sentiram-se profundamente julgadas ao fazê-lo. Tal contrassenso, digamos assim, em muitos casos gerou ansiedade e desesperança, sentimentos estes que parecem ter contribuído para uma espécie de radicalização ou fechamento que, não raro, deixou de fazer sentido em algum momento, mas nem assim foi abandonado.

Quando me refiro à necessidade de se reencontrar é, em grande parte, pensando em percorrer o caminho de volta e buscar a pessoa que éramos antes de tudo isso, questionando-se quais das mudanças desejamos incorporar e quais aspectos precisamos resgatar para não perder a nossa essência. Não acredito, entretanto, que o trabalho termine por aí. Uma vez dado este passo, ou talvez como parte dele, cabe a ponderação acerca das relações com os outros, especialmente aqueles de quem nos afastamos em nome de divergências ou desentendimentos.

E aí chegamos a um sentido distinto do título desta matéria: o do reencontro com as outras pessoas. Nesse processo de divisão e divergências, muitas relações foram abaladas e, talvez, até mesmo rompidas. Naturalmente, existem as que não são passíveis de retomada, mas serão todas elas? Quando trago a necessidade de nos reencontrar, avalio que ela se dê a nível do resgate de valores e significados que transcendam os motivos originais do desencontro e, para isso, é preciso que alguém dê o primeiro passo.

Sejamos, portanto, aqueles que iniciam essa mudança. Os primeiros a se movimentar em direção a esse reencontro tão necessário. Assim, talvez, possamos iniciar um novo ciclo que, embora convide à consolidação do rompimento, seja a renovação do que foi forte o suficiente para permanecer. Acredite: sua saúde mental agradece!